*Reverendo Fabiano Brusch Müller

A Reforma Protestante

Antes da Reforma

Sempre tendo à frente cristãos fiéis, o Evangelho de Cristo foi anunciado, e muitas pessoas creram em Jesus como seu Salvador. O Cristianismo floresceu em muitos lugares, apesar de muitas perse­guições e de muitos cristãos serem mortos por causa da sua fé.

Os anos passaram e a Igreja cresceu, também surgiram muitos problemas, normalmente motivados por falsos cristãos e interesseiros. Apareceram problemas de ordem estrutural, política e, especial­mente, doutrinária. E assim, no decurso dos séculos, vários desvios doutrinários se infiltraram nos ensinamentos da Igreja, afastando-a do verdadeiro Evangelho de Cristo.

Cristãos piedosos e preocupados fizeram várias tentativas de levar a Igreja de volta ao ensino de Cristo. Entre eles podem ser citados Agostinho, Pedro Waldo, João Wycliffe e João Huss, que pouco con­seguiram. O erro e os interesses persistiram e cresciam sempre mais.

Pré-Reforma

John Wycliffe foi professor da Universidade de Oxford, teólogo e reformador religioso inglês, considerado precursor das reformas religiosas que sacudiram a Europa nos séculos XV e XVI. Trabalhou na primeira tradução da Bíblia para o idioma inglês, que ficou conhecida como a Bíblia de Wycliffe.

João Huss foi um pensador e reformador religioso. Ele iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de John Wycliffe. Os seus seguidores ficam conhecidos como os Hussitas. A Igreja não perdoou tais rebeliões e ele foi executado em 1410. Condenado pelo Concílio de Constança, foi queimado vivo e morreu cantando um cântico cristão. Foi um precursor do movimento protestante.

Reforma

Como doutor em Teologia, Martinho Lutero começou a se dedicar mais ainda ao estudo da Bíblia. Quanto mais estu­dava, mais entendia sobre o perdão dos pecados. Estudando a Bíblia, Lutero compreendeu que Deus ama e, por isso, perdoa (Deus é tão amigo que mandou Jesus, seu Filho, salvar as pessoas).

Lutero que­ria, então, que as pessoas soubessem que elas não ganhavam perdão pelo que faziam, mas pelo que Jesus havia feito por elas. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Cristo morreu por nós. Se acreditamos em Jesus e no amor que tem por nós, nossos pecados estão perdoados. É assim que Deus dá o perdão. Com Jesus, vamos aprendendo a viver no amor que Deus mostrou por nós.

A aflição de Lutero somente teve resposta no dia em que ele en­controu na Bíblia a certeza de que não há como alguém merecer o favor de Deus por causa de alguma coisa que venha a fazer. A única forma de alguém obter o favor de Deus é através da fé em Jesus Cristo, e é através dessa fé que os pecados são perdoados por Deus. Esse entendimento, conhecido como a doutrina da justificação pela fé, tornou-se um dos pilares do pensamento religioso de Lutero.

Em 31 de outubro de 1517, afi­xou na porta da igreja do castelo de Wittenberg suas 95 teses contra os abusos da Igreja e especialmente contra a venda de indulgências. Logo o conteúdo dessas teses explodiu por todos os lados. Lutero, então, passou a participar de vários debates teológicos com autorida­des civis e eclesiásticas que tentavam fazê-lo renunciar à verdade e retratar-se de suas críticas à Igreja e ao seu comando.

Em 1520, Lutero foi excomungado e no mesmo ano queimou a Bula de Excomunhão em praça pública, rompendo assim com a Igreja da época. Em 1530, surgiu a Confissão de Augsburgo. Esse documento trazia um resumo dos ensinos luteranos. Pouco a pouco, o ideal de Reforma da Igreja que Lutero possuía foi sendo sufocado, e o reformador viu-se obrigado, juntamente com seus seguidores, a formar um grupo separado de cristãos que queriam permanecer fiéis às verdades bíblicas do Evangelho. Surgia assim a Igreja Luterana.

Herança da Reforma

A Reforma hoje em dia é lembrada com gratidão não somente por luteranos, mas por várias igrejas cristãs. A lembrança é porque a Reforma restabeleceu o con­ceito bíblico sobre as três colunas básicas do cristianismo que são: a escritura, a graça e a fé.

– A Bíblia é única e suficiente norma de fé e conduta cristã (2Tm 3.16).

– Deus nos oferece de graça, tanto o perdão total dos nossos peca­dos como a salvação eterna a todos os que creem (Rm 3.24).

– A fé aceita a graça de Deus, confia no perdão e espera a salvação. A fé é um dom de Deus (Rm 5.1-2).

Parabéns, igreja cristã, pelos 506 anos da Reforma Luterana!

*Reverendo Fabiano Brusch Müller

Igreja Evangélica Luterana do Brasil

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