Antes da Reforma
Sempre tendo à frente cristãos fiéis, o Evangelho de Cristo foi anunciado, e muitas pessoas creram em Jesus como seu Salvador. O Cristianismo floresceu em muitos lugares, apesar de muitas perseguições e de muitos cristãos serem mortos por causa da sua fé.
Os anos passaram e a Igreja cresceu, também surgiram muitos problemas, normalmente motivados por falsos cristãos e interesseiros. Apareceram problemas de ordem estrutural, política e, especialmente, doutrinária. E assim, no decurso dos séculos, vários desvios doutrinários se infiltraram nos ensinamentos da Igreja, afastando-a do verdadeiro Evangelho de Cristo.
Cristãos piedosos e preocupados fizeram várias tentativas de levar a Igreja de volta ao ensino de Cristo. Entre eles podem ser citados Agostinho, Pedro Waldo, João Wycliffe e João Huss, que pouco conseguiram. O erro e os interesses persistiram e cresciam sempre mais.
Pré-Reforma
John Wycliffe foi professor da Universidade de Oxford, teólogo e reformador religioso inglês, considerado precursor das reformas religiosas que sacudiram a Europa nos séculos XV e XVI. Trabalhou na primeira tradução da Bíblia para o idioma inglês, que ficou conhecida como a Bíblia de Wycliffe.
João Huss foi um pensador e reformador religioso. Ele iniciou um movimento religioso baseado nas ideias de John Wycliffe. Os seus seguidores ficam conhecidos como os Hussitas. A Igreja não perdoou tais rebeliões e ele foi executado em 1410. Condenado pelo Concílio de Constança, foi queimado vivo e morreu cantando um cântico cristão. Foi um precursor do movimento protestante.
Reforma
Como doutor em Teologia, Martinho Lutero começou a se dedicar mais ainda ao estudo da Bíblia. Quanto mais estudava, mais entendia sobre o perdão dos pecados. Estudando a Bíblia, Lutero compreendeu que Deus ama e, por isso, perdoa (Deus é tão amigo que mandou Jesus, seu Filho, salvar as pessoas).
Lutero queria, então, que as pessoas soubessem que elas não ganhavam perdão pelo que faziam, mas pelo que Jesus havia feito por elas. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). Cristo morreu por nós. Se acreditamos em Jesus e no amor que tem por nós, nossos pecados estão perdoados. É assim que Deus dá o perdão. Com Jesus, vamos aprendendo a viver no amor que Deus mostrou por nós.
A aflição de Lutero somente teve resposta no dia em que ele encontrou na Bíblia a certeza de que não há como alguém merecer o favor de Deus por causa de alguma coisa que venha a fazer. A única forma de alguém obter o favor de Deus é através da fé em Jesus Cristo, e é através dessa fé que os pecados são perdoados por Deus. Esse entendimento, conhecido como a doutrina da justificação pela fé, tornou-se um dos pilares do pensamento religioso de Lutero.
Em 31 de outubro de 1517, afixou na porta da igreja do castelo de Wittenberg suas 95 teses contra os abusos da Igreja e especialmente contra a venda de indulgências. Logo o conteúdo dessas teses explodiu por todos os lados. Lutero, então, passou a participar de vários debates teológicos com autoridades civis e eclesiásticas que tentavam fazê-lo renunciar à verdade e retratar-se de suas críticas à Igreja e ao seu comando.
Em 1520, Lutero foi excomungado e no mesmo ano queimou a Bula de Excomunhão em praça pública, rompendo assim com a Igreja da época. Em 1530, surgiu a Confissão de Augsburgo. Esse documento trazia um resumo dos ensinos luteranos. Pouco a pouco, o ideal de Reforma da Igreja que Lutero possuía foi sendo sufocado, e o reformador viu-se obrigado, juntamente com seus seguidores, a formar um grupo separado de cristãos que queriam permanecer fiéis às verdades bíblicas do Evangelho. Surgia assim a Igreja Luterana.
Herança da Reforma
A Reforma hoje em dia é lembrada com gratidão não somente por luteranos, mas por várias igrejas cristãs. A lembrança é porque a Reforma restabeleceu o conceito bíblico sobre as três colunas básicas do cristianismo que são: a escritura, a graça e a fé.
– A Bíblia é única e suficiente norma de fé e conduta cristã (2Tm 3.16).
– Deus nos oferece de graça, tanto o perdão total dos nossos pecados como a salvação eterna a todos os que creem (Rm 3.24).
– A fé aceita a graça de Deus, confia no perdão e espera a salvação. A fé é um dom de Deus (Rm 5.1-2).
Parabéns, igreja cristã, pelos 506 anos da Reforma Luterana!
*Reverendo Fabiano Brusch Müller
Igreja Evangélica Luterana do Brasil